Atitudes antirracistas

Atitudes antirracistas podem ser feitas por empresas e pessoas. É uma maneira de sair do discurso de que não é racista, para uma ação concreta.

Isso não é novidade para mim, pois desde pequena atitudes racistas de amigos e familiares sempre me doeram e eu sempre me posicionei na minha vida cotidiana, sem posts ou lacrações. Sou a típica brasileira, tenho índios na família, negros, europeus. Me entendo como parte de um todo. Não tenho lugar de fala no fenótipo, mas no genótipo sim. Minha preocupação foi sempre sobre a humanidade, sempre. Em certa idade, reagia a isso somente com choro, ao ver um colega sendo humilhado. Mal tinha habilidades para lidar com meus problemas.

Mas aos poucos, fui entendendo como podia intervir e não aceitar. É desafiador, porque existe uma linha tênue entre você ser percebido como hipócrita e branco e tomar certas atitudes, sem invalidar o lugar de fala de quem sente na pele, mas reconhecer que em certas posições você tem privilégios, já é um começo. É tanto sofrimento que é difícil acertar sempre mesmo. Mas penso que estudar ajuda. No início dos anos de 2000 tive contato com um documento da Jane Elliot chamado “Olhos Azuis”, em que ela faz um experimento para que as pessoas vivenciem na pele, o que é ser discriminado por alguma característica física. Se puder, vejam.

Entre cenas e relatos, o que mais me surpreendeu foi um senhor, que após o experimento relatou que, para ele, o mais difícil disso tudo é ver sua filha chegando da escola e não poder ajudar com o dever de casa, porque precisa enxugar as lágrimas de seus olhos e falar que ela é importante, consolar ao invés de ajudar a se desenvolver intelectualmente.
Isso dói. Dói porque não é passageiro, ė um fato que será repetido durante sua existência.

É um existir com uma dor presente.

Recentemente na psicologia, temos entrado em contato com o termo “estresse social” que traz uma variável importante sobre a construção e desenvolvimento da doença mental. O estresse social diz respeito ao sofrimento que populações de minoria em representatividade possuem. Seja as pessoas LGBTs, seja a população negra. Não deve ser apagado do histórico violências sofridas no desenvolvimento. Ė uma vida diária de pequenas e grandes situações em que a discriminação é estrutural e causa sofrimento que outros sujeitos não tem.
Eu costumo falar que o mundo não vai parar para a gente se organizar. Precisamos fazer um esforço de criar essas pausas de reflexão e estudo, para que possamos entender melhor como queremos agir daqui para frente.

Sofrer menos dentro de sua bolha ė uma escolha. Negar também. Mas o fato é que estamos em um cenário humano de muita dor e sofrimento. Olhar para isso é se integrar com a realidade. Isso não quer dizer que você deva deixar de brincar, sorrir, ou mesmo ter atitudes de autocuidado. Isso quer dizer que você está atento momento presente, sentindo seu desconforto e impacto e seguindo cuidando emocionalmente de si e de outros. Mas atento sempre 🙏

#vidasnegrasimportam
#blacklivesmatter

Maristela Candida de Freitas
Psicóloga Clínica em TCC (CRP 05/49323)
Mestre em Saúde Mental (IPUB/UFRJ)
Instrutora de Mindfulness (MBCT) (UNIFESP/OXFORD)

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Maristela Candida

Psicóloga clínica (CRP-RJ) 05/49323, especializada em Terapia Cognitivo-comportamental e Mestranda em Saúde Mental pelo Instituto de Psiquiatria (IPUB) da Universidade Federal do Rio de Janeiro UFRJ). Experiência em atendimentos clínicos na abordagem em Terapia Cognitivo-comportamental (TCC). Professora /Supervisora de TCC do Serviço de Psicologia Aplicada do Centro Universitário Augusto Motta. Membro da Associação de Terapias Cognitivas do Estado do Rio de Janeiro (ATC-RIO) e membro da Comissão de Docentes (ATC-RIO).

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1 Resultado

  1. AffiliateLabz disse:

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